Histórico sobre os 23 anos de estudos com mamíferos aquáticos na Bahia: personagens, encalhes e a diversidade

Por Luciano R. Alardo Souto *

* Biólogo, E-mail: lucianoalardo@yahoo.com.br

A mais ou menos 23 anos atrás, deu-se início a história das pesquisas sobre os mamíferos aquáticos no Estado da Bahia. Nessas duas décadas, um caminho bastante incerto e tortuoso começou a ser traçado por diversos personagens, onde alguns continuaram no mesmo, achando atalhos mais fáceis de serem percorridos, e outros acabaram pegando outras vias do mundo biológico.

Tudo começou após a Semana Santa de 1987, quando apareceu no noticiário do horário nobre, a informação sobre o encalhe em massa de golfinhos na deserta praia de Piracanga, baixo sul da Bahia, próxima da turística cidade de Itacaré (Fig. 1). A espécie era desconhecida pelos moradores locais o que chamou ainda mais a atenção da mídia da época.

Figura 1: Encalhe em massa de golfinhos-cabeça-de-melão (Peponocephala electra) na praia de Piracanga em abril de 1987. Foto: Salvatore Siciliano/Lodi et al., 1990.

Um professor da Universidade Federal da Bahia/UFBA (Prof. Dr. Everaldo L. de Queiroz) conseguiu apoio da Sudepe e junto com outros pesquisadores do sudeste do Brasil (Profa. Dra. Lílian Capristano, Profa. Dra. Liliane Lodi e Prof. Dr. Salvatore Siciliano), viajaram de carro para ajudar nas atividades de resgate chegando quase uma semana depois, praticamente, no auge do encalhe. Logo em seguida, chegou a Dra. Vera M. F. da Silva vindo da Amazonia e trazendo material de coleta, facilitando a obtenção de várias amostras biológicas.

No local do evento a cena era triste, com vários espécimes mortos na areia da praia e muitos outros definhando a beira da maré. Os pesquisadores identificaram a espécie, conhecida popularmente como golfinho-cabeça-de-melão (Peponocephala electra). Apesar da boa vontade, os mesmos não puderam fazer muita coisa, a não ser a coleta de alguns animais mortos, muitos carregados nas costas pelo Prof. Everaldo Queiroz (mais ou menos 10 adultos e cinco ou seis mais jovens). A Dra. Vera coletou parasitos do ouvido, além de otólitos e bicos de cefalópodes, enviando posteriormente para o Prof. Dr. Nélio Barros nos EUA, o que acabou gerando dois trabalhos, um sobre a possível causa do encalhe relacionado a parasitas dos gêneros Stenurus e Nasitrema (Da Silva et al., 1987) e outro sobre os hábitos alimentares da espécie, onde foram encontrados cefalópodes de sete famílias e teleósteos de mais três famílias, representados em sua maior parte pelo mictofídeo Lampadena sp., sendo todos de zonas mesopelágicas e ocorrendo até 1.500m de profundidade (Barros et al., 1990). Os materiais coletados foram depositados no Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo/USP, no Instituto de Pesquisas da Amazônia/INPA e um esqueleto montado encontra-se exposto na Universidade Federal da Bahia/UFBA (Fig. 2).

Figura 2: Esqueleto de golfinho-cabeça-de-melão (Peponocephala electra) montado e exposto na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Foto: Luciano R. Alardo Souto

Como em outras historias já conhecidas de encalhes no litoral brasileiro, faltou uma maior logística de campo, principalmente por parte das autoridades competentes na região, e muitos animais não puderam ser coletados, sendo os mesmos enterrados no local. Na maior contagem realizada, foram contabilizados 240 espécimes, fora os que foram aproveitados para consumo humano (Siciliano et al., 1987a). Até algumas luvas e máscaras descartáveis foram cedidas pelo posto de saúde próximo dali para ajudar nas atividades. Além desses, outros estudos decorrentes desse evento também foram apresentados, registrando-se o próprio encalhe em massa, que por sinal foi o primeiro e único dessa espécie na costa brasileira (Siciliano et al., 1987a; Lodi et al., 1990). No entanto, P. electra já havia sido registrada para o Estado através de um crânio coletado na cidade de Caravelas, em julho de 1985 (Siciliano et al., 1987b).

Nesse mesmo ano, em decorrência do processo de criação do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, foram feitas observações importantes sobre uma pequena população das belas e magníficas baleias-jubarte (Megaptera novaeangliae), além do arquipélago tornar-se conhecido como principal “berçário” da espécie no Oceano Atlântico Sul Ocidental. Surgi assim o Projeto Baleia Jubarte. No ano seguinte (1988) as pesquisas começaram a tomar forma, montando-se pontos fixos em locais estratégicos do arquipélago e sendo realizados os primeiros cruzeiros a fim de fotografar as jubartes… As enormes jubartes…

De volta a 1987, ao retornar para Salvador, Prof. Everaldo Queiroz criou o Grupo de Estudos de Cetáceos/GECET, onde alguns acadêmicos dos cursos de Biologia da UFBA e da Universidade Católica do Salvador/UCSal integravam o mesmo. O GECET começou então a atender os encalhes do litoral, principalmente de botos (Sotalia guianensis) no interior da Baía de Todos os Santos/BTS (Figuras 3).

Figura 3: Botos (Sotalia guianensis) na foz do rio Paraguaçu, região sudeste da Baía de Todos os Santos. Fotos: Luciano R. Alardo Souto

Também foi a partir desses trabalhos que deu início à primeira coleção científica de mamíferos aquáticos no Estado, formada principalmente por material ósseo, depositada e tombada no Laboratório de Nectologia/UFBA sob os cuidados do Prof. Everaldo Queiroz. Nessa mesma baía, principalmente em áreas adjacentes à ilha de Itaparica, foram realizados os pioneiros estudos comportamentais com botos, realizados pela Biól. MSc. Maria do Socorro S. Reis/Socorrinho (estudos com comportamento, impactos antrópicos e etnoecologia) e Luciano W. Dórea-Reis (estudos com comportamento e encalhes de pinípedes) (Reis & Queiroz, 1992a, b; Reis & Queiroz, 1993; Dórea-Reis et al., 1993, 1994, 1996a). Alguns anos depois outros acadêmicos se juntaram a essa nova geração, sendo eles: Alex Pereira (estudos com encalhes), Claúdio L. S. Sampaio/o buia (estudos com encalhes e dieta), Eva Aroucha (estudos com osteologia e comportamento) e Sandra V. Luckesi (estudos com comportamento). O GECET durou de forma ativa até 1997 quando o grupo já tinha perdido vários integrantes e novas entidades surgiram na cidade de Salvador. Esses acontecimentos marcaram o surgimento de uma nova geração.

Das novas entidades que foram criadas, podemos citar o Projeto Estação Animais Marinhos/PREAMAR, que não durou por muito tempo, e em 1995 o Projeto MAMA, que passou a se chamar Projeto Mamíferos Marinhos e atualmente é o Instituto Mamíferos Aquáticos/IMA. Em 1995, o IMA começou os estudos comportamentais com os botos na Barra do Paraguaçu/BTS, distrito de Salinas da Margarida.

A partir de 1996/97 o IMA, com base instalada no Museu de Ciência e Tecnlogia da Universidade Estadual da Bahia/UNEB, traz a segunda geração de pesquisadores formada por nomes como Fabio Lima Braga e Clarêncio G. Baracho (barata) que junto com os atendimentos a encalhes seguem os estudos do Luciano W. Dórea-Reis e da Dra Márcia Engel nos passos secundários do comportamento das jubartes no litoral norte (Dórea-Reis et al, 1996b; Baracho et al., 2000). Ainda em 1996, o Projeto Baleia Jubarte torna-se Instituto Baleia Jubarte (IBJ) e dá continuidade aos trabalhos conservacionistas com as baleias e outros cetáceos no País.

Em 1997, a Biól. Socorrinho vai para Ilhéus trabalhar no Programa Revizee e conhece a Biól. MSc. Renata L. G. Batista (na época ainda era acadêmica), onde ensina os passos iniciais do comportamento de cetáceos à mesma. Passando no mestrado local, a Profa. Socorrinho transfere-se de vez para a cidade e através de um convênio entre o IMA (na época chamado de MAMA) e a Universidade Estadual de Santa Cruz/UESC expandem os braços do IMA para Ilhéus e Itabuna, realizando além dos trabalhos de resgate a animais encalhados, como o encalhe em massa de dois botos (Sotalia guianensis) (Batista et al., 1998; Batista et al., 2005), outros estudos comportamentais com os botos no litoral da cidade (Batista & Nogueira, 2002; Reis, 2002 e 2004). Se junta ao grupo, novas acadêmicas da referida instituição entre elas, a Biól. MSc. Urânia A. Santos (estudos com comportamento). A partir daí, a Biól. Renata fica responsável pela sub-base do IMA em Ilhéus e começa a coletar e colecionar os esqueletos oriundos dos animais encalhados mortos na região. Depois de um tempo, todo esse material começa a ser depositado no Laboratório de Mamíferos da UESC, onde se encontra até hoje uma parte dessa história (Fig. 4).

Figura 4: Crânios de botos (Sotalia guianensis) tombados e depositados no Laboratório de Mamíferos da UESC. Foto: Luciano R. Alardo Souto

Muitas outras pessoas interessadas apareceram nessa região e continuam contribuindo com os estudos sobre os mamíferos aquáticos, entre eles, os professores da UESC: Prof. Dr. Alexandre Schiavetti que orientou a Biól. Renata (com os botos do rio Paraguaçu) e outras acadêmicas, e o Prof. Dr. Yvonnick Le Pendu, orientando a Biól. Urânia Santos, também com os botos, só que do litoral de ilhéus (Santos et al., 2000; Santos, 2001; Alarcon & Schiavetti, 2005, 2007a, 2007b; Schiavetti & Alarcon, 2007; Batista, 2008). Não podemos esquecer que foi em Ilhéus que tivemos a primeira prisão e condenação a nível nacional de um pescador que ajudou no encalhe de uma baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae) e, posteriormente ao encalhar novamente horas mais tarde, sob o efeito de bebida alcoólica, esfaqueou o animal, um jovem, levando-o à morte. O agressor após ficar um tempo na prisão, foi obrigado a prestar serviços voluntários para o IMA durante quatro meses.

No ano de 1998, aparecem mais adeptos dessa temática aquática como a Biól. Esp. Sheila D. Serra (estudos com educação ambiental) e Rodrigo Maia-Nogueira (estudos de encalhes e biogeografia), além dos médicos veterinários Gerson Norberto (estudos com atividades sísmicas e sonoplastia), Bruno Bastos (estudos clínicos e com parasitas de cetáceos) e Dra. Suzana Más Rosa (estudos de contaminantes em cetáceos) (Maia-Nogueira, 2000; Maia-Nogueira et al., 2001a; Maia-Nogueira et al., 2001b; Bastos et al., 2003; Serra, 2005; Bastos et al., 2006). Nesse ano, foi criada a campanha “S.O.S. Baleias, Botos e Golfinhos” a fim de monitorar os encalhes no litoral baiano.

Como tinham muitos pesquisadores e nem todos focavam os estudos comportamentais, além do crescimento de esforço relacionado ao número de encalhes cada vez maior, foi criado, no ano de 1999 e em nova sede, esta no Parque Zoobotânico Gertúlio Vargas/PZBGV, o Centro de Resgate de Mamíferos Aquáticos/CRMA como unidade operacional do IMA e sob coordenação do Rodrigo Maia-Nogueira. Muitos encalhes aconteceram, inclusive de animais vivos como o cachalote-anão (Kogia sima) em Cações (Jaguaribe), o golfinho-de-dentes-rugosos (Steno bredanensis) na favela dos Alagados (Salvador) e vários golfinhos-climene (Stenella clymene), principalmente no litoral norte do Estado (Figuras 5 e 6) (Maia-Nogueira et al., 1999; Maia-Nogueira & Baracho; 2000; Maia-Nogueira et al., 2001; Bastos et al., 2003; Souto et al., 2004).

Figura 5: Encalhe de golfinho-climene (Stenella clymene – CCPM0473) na praia de Busca Vida, Lauro de Freitas, em 2007. Devido ao estado do mar muito violento, o espécime foi levado até um pequeno riacho onde foi monitorado por técnicos da equipe de resgate. Foto: Arquivo IMA.

Em 2000, surgi mais um “pseudópodo” do IMA. Desta vez na cidade de Aracaju, Estado de Sergipe, e coordenado pelo Biól. Dr. Adolfo H. de Jesus. Dr. Adolfo monta uma equipe de estagiários e junto com o suporte da equipe de Salvador dão continuidade aos estudos pioneiros nessa região do nordeste brasileiro, mais isso é uma outra história… (Baracho & Maia-Nogueira, 2000; Serra et al., 2000).

Figura 6: Encalhe de cachalote-anão (Kogia sima – CCPM0083) na praia de Cações, Jaguaribe, Baía de Todos os Santos em 2000. Foto: Arquivo IMA/Maia-Nogueira et al., 2001.

Fim de 2002, início de 2003, o IMA muda novamente de sede e estabelece-se junto à Companhia de Polícia de Proteção Ambiental/COPPA, onde, novamente, aparece outra geração de estudiosos com os acadêmicos de biologia Amorim Reis e Bruno Menezes (ambos com comportamento de botos no rio Paraguaçú), Janete Gomes Abrão-Oliveira e Daniela Copello (estudos com dieta de odontocetos)  (Abrão-Oliveira et al.,2007; Copello, et al.,2007). Também voltaram os estudos sistemáticos com os botos na Barra do Paraguaçu/BTS coordenados pela Profa. Socorrinho e com auxílio constante de biólogas como a Esp. Tatiana Dias e MSc. Juliana Spínola que desenvolveram vários estudos (Dias, 2001; Spínola, 2006, Spínola et al. 2007), aparecendo em seguida as biólogas Lylian M. Bauer e Pauliene C.C. Lopes, continuando com os monitoramentos de botos na Barra do Paraguaçu (Lopes et al., 2007; Bauer et al., 2008).

Na cidade de Salvador com o número crescente de atendimento a encalhes (muitos desses como consequência dos primeiros monitoramentos de praias) surge um novo problema, a coleção científica do IMA estava ficando fora de controle. A partir daí, foi criado o Setor de Curadoria do IMA (sob os cuidados do Autor) e uma nova política de manutenção e conservação da coleção foi adotada e estende-se até os dias atuais (Figuras 7 e 8).

Figuras 7 e 8: Coleção Científica de Mamíferos Aquáticos do IMA: esqueletos e via-úmida. Fotos: Luciano R. Alardo Souto.

Nesta época, novos e empolgados estagiários ajudaram muito na reforma, entre eles os(as) atuais Biólogos(as) Daniela Rabelo, Aline Pizzani, Ana Carolina de Jesus, Igor Leonardo, Gustavo Carvalho-Souza e Yuri Watanabe, além de Tiago Souza, Noemi Britto e Luiz Boaventura. Outra pessoa que marcou passagem nessa história foi o taxidermista Moab Carvalho, que muito colaborou com seus esforços na conservação de diversas peças ósseas e de peles, tanto do IMA, como de outras instituições, sendo elas o Museu da Escola de Medicina Veterinária da UFBA, o Zoológico Getúlio Vargas de Salvador e o IBJ em Praia do Forte.

Com ajuda da Dra. Ana Bernadete L. Fragoso (pesquisadora do Laboratório de Mamíferos Aquáticos da Universidade Estadual do Rio de Janeiro/UERJ) o Autor entrou no mundo osteológico e novas pesquisas foram e estão sendo realizadas (Souto, 2006; Souto et al., 2008b; Souto, 2009a; Souto, 2009c).

No sul do Estado, estudos comportamentais e de uso espaciais começaram a ser desenvolvidos no litoral de Caravelas e Arquipélago de Abrolhos pelo Projeto Boto Sotalia fazendo parte dos trabalhos de pesquisa do IBJ e coordenado pelo Biól. MSc. Marcos R. Rossi-Santos, tendo ajuda do Biól. Msc. Leonardo Wedekin (Wedekin et al., 2001; Rossi-Santos & Wedekin, 2006; Rossi-Santos et al., 2007). Nomes que também não poderiam deixar de ser lembrados são dos Médicos Veterinários Miltom C.C. Marcondes e Kátia R. Grock, ambos do IBJ e que atuam nos casos de encalhes de pequenos e grandes cetáceos no sul da Bahia.

Ainda em 2002, os estudos com as lontras (Lontra longicaudis) tornam-se realidade e os passos iniciais são dados na cidade do Conde, litoral norte, mais precisamente no rio Cromaí através da análise de fezes realizada por Biólogos do IMA. Em 2004 os dados de distribuição da espécie no Estado foram apresentados no “IX International Otter Colloquium” da IUCN (Encontro de especialistas em lontras) em Frostburg, Maryland (EUA) e uma área mais ampla da distribuição da espécie em território brasileiro foi divulgada (Araújo e Souto, 2004). Em 2006, com a orientação do Prof. Yvonnick, foi realizado um estudo sobre o comportamento diurno de uma lontra em cativeiro pelo Autor e os biólogos Rafael Queiroz e Luana Muritiba Lemos (Souto et al., 2007). A partir daí outros estudos com as lontras foram desenvolvidos e envolveram dieta, interações antrópicas, manutenção em cativeiro, entre outros (Souto, 2009b; Souto e Dórea-Reis, 2009; Velozo et al., 2008). Falando-se de lontras também foram iniciados trabalhos oriundos do pessoal da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/UESB, onde foram feitas análises de fezes no rio das Contas em Jequié (Rebouças & Affonso, 2006), além de dois trabalhos de cunho ecológico terem sido totalmente desenvolvidos no recôncavo baiano, sendo pioneiros na Bahia (Leal, 2008; Lemos, 2008). Outro registro baiano, e antigo, de lontras foi dado por Siciliano e Franco (2005), onde relataram a pele de um espécime de lontra coletado no rio Mucuri em 1988 e depositado na coleção de mamíferos do Museu Nacional no Rio de Janeiro (MN28999). Atualmente existem três lontras em cativeiro na sede do IMA em Salvador e espera-se que no futuro sejam desenvolvidos trabalhos de reprodução e genética da espécie (Fig. 9).

A partir de 2007, novos personagens surgiram como as Médicas. Veterinárias MSc. Raquel Sá Velozo (estudos clínicos e com encalhes de pinípedes; Velozo et al., 2008), Ana Paula Domingos Brito (estudos clínicos) e Rosangela R. de Souza (estudos com comportamento em cativeiro; Souza et al., 2009)

Figura 9: A lontra chico (Lontra longicaudis) em cativeiro no IMA. Fotos: Luciano R. Alardo Souto e Arquivo IMA.

Entre os mamíferos aquáticos registrados para a Bahia, tem um que após mais de 50 anos desaparecido do nosso litoral, voltou a freqüentar as águas sagradas da Santa Terra, sendo ele o peixe-boi marinho (Trichechus manatus). Em 2005, o peixe-boi conhecido como astro, resolveu tirar umas rápidas férias na Bahia e após ter perdido a cinta com o rádio-transmissor em Sergipe, acabou parando em Praia do Forte, retornando após alguns dias para o norte. Meses depois, o mesmo voltou para a fronteira norte do Estado e estacionou em Mangue Seco. O Autor junto com a Biól. Claúdia Araújo procuraram o animal por três dias seguidos, achando o mesmo apenas no ultimo dia de trabalho. Em consequência desses fatos foi celebrado um convênio entre o IMA e o Projeto Peixe-Boi, onde o mesmo passou a ser monitorado nos Estados da Bahia e Sergipe pelo IMA. E quando todos pensavam que o peixe-boi ficaria apenas na fronteira estadual, um acontecimento ainda mais marcante ocorreu: em meados de outubro de 2006 outro peixe-boi apareceu, só que dessa vez em Salvador, mais precisamente, e para deixar os técnico de cabelos em pé, o animal (conhecido como Assú) resolveu ficar na área adjacente ao terminal marítimo do Ferry-Boat (Figuras 10 a 20).

Figuras 10 a 20: Resgate do peixe-boi assú no terminal marítimo de Salvador, tratamento em cativeiro no IMA e encaminhamento do animal para Itamaracá/PE. Fotos: 10 e 17 – Ana Carolina de Jesus; 12, 13, 14, 15 e 16 – Cláudio Sampaio (o buia); 18, 19 e 20 – Luciano R. Alardo Souto.

Preocupações a parte, e uma semana de monitoramento constante, o IMA junto com o Projeto Peixe-Boi (coordenado pela Ana Carolina e o técnico Tadeu) resolvem retirar o animal d’água. Após muitas tentativas fracassadas, conseguimos cercar o animal e capturá-lo, levando o mesmo para a piscina do IMA e sendo transportado no dia seguinte para a sede do Peixe-Boi em Itamaracá. Com certeza foi uma grande experiência e uma boa oportunidade para trabalhar em conjunto, fazendo parte da equipe de resgate membros do IMA (Autor, Ana Carolina de Jesus, Luciano W. Dórea-Reis, Rodrigo Maia-Nogueira, Thaís Violante, Daniela Rabelo, Aline Pizani e Amorim Reis), do IBJ (Clarêncio Baracho – Barata), do Projeto Peixe-Boi (Biól. MSc. Ana Carolina e o Oceanógrafo Tadeu) e com a participação do Claúdio Sampaio (o buia) e suas belas imagens sub-aquáticas do animal.

Os pinípedes também não podem ficar de fora desse histórico, já que desde 1990 os mesmos são registrados no litoral baiano, onde já passaram cerca de 13 animais, entre os lobos-marinhos-subantarticos (Arctocephalus tropicalis) e elefante-marinho-do-sul (Mirounga leonina; Fig. 21) (Bastos et al., 2006; Velozo et al, 2008). Este último, por sinal também tem um “tchã” a mais, pois foi o primeiro e único pinípede encalhado no nosso litoral, reabilitado e devolvido para a sul do País, sendo solto em seguida no ano de 2002.

Figura 21: Elefante-marinho-do-sul (Mirounga leonina) encalhado no Porto da Barra, Salvador, em pleno carnaval de 2002. Foto: Rodrigo Maia-Nogueira.

Vale lembrar que o mesmo encalhou em pleno carnaval, no Porto da Barra, onde foi uma verdadeira batalha para poder chegar até o animal. Até o trio elétrico ajudou, pedindo a colaboração dos foliões e desligando o som para evitar o estresse do animal. Depois de dois anos, pesquisadores da Patagônia ligam para o IMA relatando o encontro e reconhecimento do animal marcado. Para o IMA isso foi um dos grandes acontecimentos que marcou sua história e confirmou o sucesso da operação. Outro estudo desenvolvido com pinípedes na Bahia refere-se à interação trófica entre os lobos-marinhos (A. tropicalis) e o tubarão-charuto (Isistius plutodus) sendo a primeira vez que essa interação foi reportada para o País (Souto et al, 2008a).

Lembrando dos eventos que discutiram diversas atividades e estudos relacionados aos mamíferos aquáticos, a Bahia acolheu de braços abertos o I Encontro Sobre Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos do Norte-Nordeste, na cidade de Caravelas-BA em 1994, com o Instituto Baleia Jubarte em parceria com a Universidade Federal da Bahia e colaboração da Prefeitura Municipal de Caravelas, do IBAMA e da PETROBRÁS. O evento teve abrangência nacional com a participação de pesquisadores de todo o Brasil. Após a segunda edição do encontro, acontecido no Ceará, ficou decidido transformar o mesmo em um evento nacional, surgindo assim o III Encontro Nacional sobre Conservação e Pesquisas de Mamíferos Aquáticos (ENCOPEMAQ), coordenado pelo Prof. Everaldo Queiroz e com o tema “A história 502 anos depois”, realizado na pacata (nem tanto!) ilha de Itaparica em 2004. Em 2008, o II Worshop do Nordeste: Pesquisa e Conservação de Sotalia guianensis aconteceu na turística Praia do Forte (Mata de São João) e foi organizado pelo Biól. Rossi-Santos e Profa. Socorrinho. Ao final desse evento, foram criadas 15 recomendações para orientar os estudos sobre os botos no nordeste (Rossi-Santos & Reis, 2008). Por último, o VI ENCOPEMAQ e II Simpósio Nordestino sobre Mamíferos Aquáticos (SINEMA), ambos organizados pela equipe do IMA sob a coordenação da Profa. Socorrinho, foram sediados em 2009, na primeira capital do País, a costeira Salvador (Souto e Reis, 2009). Além desses eventos principais, muitos outros eventos baianos contaram com a participação de pesquisadores (nativos e/ou não) e suas diversas abrangências aos mamíferos aquáticos, entre eles o SEMOC/UCSal, a SEMBIO/UFBA e o ENCOBIO/UEFS (Universidade Estadual de Feira de Santana). Em todos esses eventos, acontecidos em diferentes edições, vários estudos foram apresentados, abordando temas diferentes, como histologia, parasitologia, dieta, ecologia, biologia, distribuição, etc.

De forma resumida, muitas atividades e estudos foram iniciados em várias partes do litoral baiano, levando a Bahia a ser um dos Estados nordestinos com maior número de trabalhos sobre os botos e outras espécies de mamíferos aquáticos (Souto & Carvalho-Souza, 2009). No entanto ainda faltam muitos pontos e muitas espécies a serem cobertas nessa imensidão baiana e pensando nisso que, desde 2003 é realizado o Programa de Capacitação de Voluntários para Resgate de Mamíferos Aquáticos, um curso teórico-prático que já capacitou mais de 1.000 voluntários aptos a prestarem serviços nos casos de encalhes no litoral baiano (Souto et al, 2005).

Um total de 29 espécies já foram registradas no Estado representando 58% da fauna de mamíferos aquáticos nacional (IBAMA, 2001), sendo as espécies Mesoplodon layardii e K. breviceps as ultimas encalhadas no litoral e que não tinham registros anteriores (Maia-Nogueira & Nunes, 2005; Souto, 2009) e é bem capaz desse número aumentar com um maior esforço amostral, principalmente em cruzeiros de pesquisa, registrando espécies mais raras como Feresa attenuata nas águas do litoral norte (Rossi-Santos et al., 2006).

Agradecimentos: aos vários pesquisadores que ajudaram com informações sobre encalhes passados e um pouco da história das pesquisas em nosso litoral, sendo eles: Dra. Liliane Lodi, MSc. Maria do Socorro S. dos Reis, MSc. Renata L. G. Batista, Dr. Siciliano Salvatore e Dra.Vera M. F. da Silva.

Referências

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Citação: Souto, L.R.A. 2010. Histórico sobre os 23 anos de estudos com mamíferos aquáticos na Bahia: personagens, encalhes e a diversidade. Site: www.mundodabiologia.com.br. Acesso em: xx.xx.xxxx.

18 Comments to “Histórico sobre os 23 anos de estudos com mamíferos aquáticos na Bahia: personagens, encalhes e a diversidade”

  1. By Clarencio Baracho, 23 de janeiro de 2011 @ 18:37

    Raiz, muito boa essa retrospectiva! Além de me fazer viajar e me sentir um pouco velho (rss), me fez pensar que mesmo com todo esse tempo existe ainda muito trabalho pela frente! Vamos que vamos!
    Abraços
    Clarêncio Baracho (Barata)

    • By Luciano Alardo, 26 de janeiro de 2011 @ 16:27

      Fala grande Barata, bl?

      Acredite, com tudo isso, não temos quase nada heheh. É bom que os mais novos vejam e queiram mudar isso também. Abração, Raiz

  2. By Juaci SIRI, 26 de janeiro de 2011 @ 16:50

    Parabens pela meteria mano….. e pelo espaço

    Barata na linha e siri na outra….

    Bom reencontrá-lo na net….

    Saudações do Ceará;

  3. By Alex Ramos Pereira, 27 de janeiro de 2011 @ 11:57

    Luciano,

    Parabéns pela qualidade do texto e pela responsabilidade no que tange as informações publicadas…parabéns mesmo..

    Me fez lembrar do passado e lembrar de mais nomes que participaram do grupo como Eduardo Saar…Fabiano “Alimba” Simões.. André Figueiredo (Andrezão…Sumido)..Moacir (veterinário e amigo) entre outros..Vinha..Vika…muito boas lembranças….

    Um fato que não me deixa esquecer desta época é a minha Tia Neide praticamente não me deixando entrar em casa devido ao cheiro (fedor) de podre que meu corpo e minha roupa exalavam… isso era certo após minha chegada em casa após um encalhe….

    Infelizmente tive que sair da área para trabalhar e acabei montando uma empresa, a Bioconsultoria Ambiental…. que sabe agora não poderei voltar como um incentivador…

    Abraços,

    Alex

    • By Luciano Alardo, 27 de janeiro de 2011 @ 14:09

      Oi Alex, muito grato pelo elogio.
      Sei que muitos nomes não entraram no texto, mais, com certeza, muito contribuiram nessa ciência ainda emergente no Estado. Infelizmente faltou espaço e também não conheci muitos desses. Corri atrás de informações mais remotas, mais acabei não conversando com alguns dinossauros, então… Abçs, Luciano Raiz

  4. By Yvonnick Le Pendu, 27 de janeiro de 2011 @ 12:50

    Parabéns pelo texto Luciano! Foi muito informativo para quem subiu no barco já navegando. O porto de destino ainda fica longe mas a tripulação é boa!
    Abraços
    Yvonnick

  5. By Leonardo Wedekin, 31 de janeiro de 2011 @ 20:32

    Caro amigo, fico lisonjeado com a lembrança, e feliz de ter feito parte desta história. Aos pioneiros, gostaria de parabenizar por construir o conhecimento sobre o mais longo litoral do Brasil, a costa da Bahia. Abraços e axé!

    • By Luciano Alardo, 1 de fevereiro de 2011 @ 11:04

      Fala grande Leo, blz meu broder? Nossa maior vantagem é a união entre as Instituições que trabalham com os mamíferos aquáticos no litoral baiano. Essas parcerias é que abrem muitas portas… ABçs, Raiz

  6. By Gustavo Carvalho-Souza, 11 de fevereiro de 2011 @ 13:23

    Grande Raiz, Parabens pela iniciativa. Tive a mesma impressão do Barata… tunel do tempo… vamos por o barco no caminho dos ventos, a muito a ser feito…
    Grande abraço
    Gustavo

  7. By Thais Violante, 16 de março de 2011 @ 12:20

    Oi, Raiz! Parabéns pelo texto, muito legal mesmo essa retrospectiva!!! Na verdade, eu trabalhei no IMA 2005 e 2006 (antes das veterinárias que surgiram em 2007, como você diz no texto) mas entrei logo após o aparecimento do peixe – boi…
    Valeu cada momento e vamos seguindo em frente!!!
    Beijo

    Tai

  8. By Rodrigo Maia-Nogueira, 22 de agosto de 2011 @ 19:50

    Raizêro,

    Acabei de fazer uma viagem no tempo … bateu uma saudade daquele periodo em que todos os esforços, até mesmo os impossíveis eram válidos e nós dávamos literalmente nosso sangue para tentar conhecer cada vez mais estes maravilhosos animais!

    Grande abraço irmão!

  9. By Everaldo Queiroz, 18 de outubro de 2011 @ 20:43

    Caro Alardo,
    Por mais que queiramos a lembrança deixa falha.
    Em primeiro lugar, grato pelo respeito e inserção do meu nome. Aliás, é um respeito a uma instituição, maior que todos nós – a UFBA. Tudo que foi feito, foi com base nela, apesar da pouca falta de reconhecimento e as dificuldades que ela sempre impôs. Mas, são contas vencidas, fica como dado e depoimento histórico. Uma história não é feita de melodias harmoniosas, há ruídos e servem como elemento de construção.
    Depois do encalhe em Piracanga, muito maior que suas palavras, resolvi dar continuidade a implantação de estudos em mamíferos aquáticos na Bahia. As únicas referências no Brasil, foram aquelas citadas por vc. Mas, existia um outro grupo que sustentava a turma do Rio: Marcela Junin e Hugo Pablo Castelo. Márcia Engel dava os seus primeiros passos. Um outra Márcia, não lembro o sobrenome, foi que iniciou todo processo no lab., ainda, Ictiologia. Ela foi para o PARNA Abrolhos e deu início a inserção da Bahia nos estudos de jubarte, com Liliane Lodi e Salvatore. Consagrei a parceria indo até Atafona – RJ, com o compromisso de identificar os tubarões que ocorriam em capturas por rede de caída.
    Daí, trouxemos a Marcela para um curso em Salvador. Foi um “paitrocínio” e daí que Márcia Engel surge e depois, articulamos o evento de Caravelas. Além de Hugo e Marcela e a turma do Rio, trouxemos Truda e Ricardo Soawinsk. Era a chegada da turma da franca e peixe boi, que iniciava em Pernambuco e Paraíba.
    Nada foi a toa. Havia critérios e articulações, incluindo Brasília e os projetos consagrados, a exemplo do TAMAR e PARNA FN.
    Aos poucos fomos agregando pesquisadores, alguns desembarcaram. Não vi referências em seu texto sobre um dos maiores eventos que coordenei na minha vida acadêmica – VII Congresso Nordestino de Ecologia, na UESC, o maior realizado pela SNE (Sociedade Nordestina de Ecologia). Trouxe quase toda turma que atuava na área do Brasil. Daí sai o primeiro esboço de um protocolo como agir diante de um encalhe de Sotalia. Tenho o documento arquivado e outras propostas. Unimos o país de norte a sul, além de incluir o tema paleontologia como tema. Aliás, o Prof. Cartele (UFMG) já havia participado do evento em Caravelas. Se fuçar tenho documentos sobre o encontro.
    Não vou comentar sobre dissenções, fico feliz por ter sido homenageado longe da Bahia, em Itajaí – SC, reconhecendo o valor do trabalho PROFIISIONAL e ACADÊMICO, durante a minha vida acadêmica. Orgulho, vaidade e cárater são elementos pessoais.
    Fizemos mais um ENCOPEMAQ, também, em Itaparica e resgatamos um encontro nacional. Pois, só existia a SOLAMAQ.
    Assim, a Márcia (que foi depois do GAMBÁ) deu início a toda essa movimentação. Tenho o relatório dela, impresso em uma impressora matricial. Foi ela também, com uma professora que hoje está na UESC, e trabalhou com animais peçonhentos, que deu o start ao estudo do boto da BTS. Passamos uma semana inteira navegando nas águas da BTS, dando os primeiros passos para conhecer a espécie.
    Gostaria, se não foi publicado, que vc considerasse meu nome Everaldo Queiroz, não só Prof. Everaldo. Não é vaidade é identidade.
    Um outro fato regulatório, de registro importante, ocorre em Viña Del Mar, Chile, quando eu, Truda e Régis, conseguimos desmontar uma RT, organizada pelos maiores pesquisadores da América do Sul, e trouxemos para Tamandaré. Foi um rebuliço! Mostrou a nossa articulação. Foi na base do discurso e com isso consolidamos uma liderança.
    A inserção do tema na sociedade, na imprensa, começa com a proposta de Márcia (esqueci o sobrenome) com as primeiras exposições em shoppings, principalmente, na semana do Biólogo. Éamos chamados pelos ilustres acadêmicos, de “marqueteiros”. Márcia, por ser do Diretório de Biologia UFBA, ativa politicamente, segurava a barra!
    Quero, agora, deixar registrado o “marco Zero”. Quando voltei do RGS, Mestrado em Oceanografia, depois é que fiz Doutorado em Geoquímica e Pos Doctor em Ecoturismo, iniciei um trabalho com pesca de tubarão, em Praia do Forte. Um dia vi uma cabeça e um boto e fotografei. Era a isca que eles usavam, no espinhel. Era uma prática tradicional, possivelmente, advinda da caças às baleias. Sobre o tema inicie as pesquisa sobre a caça as baleias na Bahia e em Praia do Forte. Surge a idéia do Museu da Baleia, noticiado no Globo, por exemplo (TENHO TUDO!). Pois bem, no Congresso de Zoologia (1987) mostrei a foto, em minha apresentação oral – painel era opcional. Estava na platéia, Liliane Capistrano, aproximou-se de mim e pediu uma cópia e mais informações. Ficamos amigos e daí, e por isso, eles vieram para Itacaré.
    Tudo que fiz, como fiz e porque fiz, está registrado em resumos e alguns trabalhos publicados, a exemplo do encalhe de bryde, em Nagé. Outros detalhes em meus livros e relatórios, além de monografias. Destaco a monografia de Taís Bemfica, que está chegando na Bahia, a bordo do Fraternidade. É muito consistente e revisional. Muito bem escrita e ilustrada.
    Outros fatos, tangenciados muito bem por vc, não vale a pena resgatar. O que vale são os produtos.
    Em minha avaliação, sou um pesquisador, muito mudamos desde o início. Gostaria de ver muito mais. Passamos de uma fase de informação para um fase de depositório de ossos e de museus estáticos. É uma linha, há de respeitar.
    No mais, é preciso aduzir a esse histórico que a ilha do Medo é pioneira na proteção de um site fidelity de um mamífero aquático – Sotalia. A primeira a incluir um limite baseado em isóbata. Depois, a APA Recife das Pinaúnas na proteção de áreas de jubarte, baseada na tradição oral e história – pioneira, também.
    Assim, Alardo, é triste ver o desmonte que está sendo feito pela ganância dos EIA-RIMA e pólos Navais.
    Mas, sinto-me orgulhoso por tudo que fiz. Tenho todas as matérias e um acerto fotográfico de fazer inveja. E uma memória balenopterídea.
    História é para ser contada e respeitada.
    Respeito as suas palavras e também sou feliz por ter ajudado em sua formação.
    Um abraço.
    Prof. Everaldo Queiroz
    Preparando o retorno, em grande estilo. Não há cansaço para quem ama a vida! Eu sou um amante dela! Vem aí o LUAR GG, aguarde.
    Não revisei o texto.

    • By Luciano Alardo, 20 de outubro de 2011 @ 18:45

      Salve, salve Prof. Everaldo Queiroz!

      Muitíssimo boas as suas colocações, revisões e comentários diversos. Já estava preocupado em não ter um comentário seu, logo do mais velho cacique baiano na área dos “maqua’s”. Com certeza o seu complemento deu uma nova perspectiva ao texto e trouxe muitas informações valiosas ao mesmo. Fico grato pela parte que me toca e orgulhoso de estar na tripulação deste barco, como chamou o Prof. Yvonick. Também estou muito curioso em relação ao museu que está pra vir.

      Precisando estamos ai!
      Abs Luciano

  10. By Everaldo Queiroz, 19 de outubro de 2011 @ 20:10

    Alardo,
    O sobre nome de Márcia, a número 1 no estudo de mamíferos aquáticos na Bahia – Márcia Neves. A outra estagiária, hoje profa da UESC – Miríades, a confirmar.
    O nosso primeiro barco de alumínio, era o Sotalia. Tenho fotos.
    A primeira matéria em jornal, saiu na Tribuna da Bahia, sobre uma jubarte que ficou em espetáculo no Jardim de Alah. Quem avistou e comunicou ao jornal foi um aluno chamado Roberto Bautista, que depois seria GO do Club. MED.
    Aquele esqueleto de Peponochepala foi montado no Museu Goeldi, no Pará, por indicação de Vera da Silva.
    A primeira montagem de um esqueleto de Sotalia, na Bahia, foi realizada por Péricles Guimarães (Magriça) que depois seguiria os rumos da carcinicultura.
    A divulgação em jornal, Caderno RURAL, era um apoio do Prof. Sérgio Mattos, Editor. Se juntar todos os artigos, teremos um livro das espécies que foram registradas para o litoral da Bahia.
    A primeira cartilha educativa sobre Sotalia foi escrita por Lívia Galvão, hoje fiscal do IBAMA.
    A única música sobre Sotalia – Tributo ao GECET, está em CD do Cantarolama. faz parte de uma série de músicas, algumas, escritas por mim e por Carlinhos de Tote (Velho, gerou uma ciumada, que vixe Maria) para os mamíferos aquáticos. Essas músicas foram lançadas, com sucesso, em Itajaí e em São Vicente. São elas: Tributo ao GECET (Um lindo Ijexá); Baleia Jubarte, Baleia Franca (Tributo a Truda), Golfinho Rotador, Peixe boi (Tributo a Régis) e ficamos de terminar, já fiz a letra – Baleia de Bryde (Tributo a Mabel) e Pontoporia – Toninha (Tributo a Martinha Cremer – um ponto em Babitonga). Fizemos uma musiquinha de roda, muito interessante para o Golfinho Rotador – Tributo a José Martins.
    Existem algumas curiosidades sobre essas músicas que são, apenas, reconhecimento e homenagens. A música da baleia franca, tem gente que não aceita ouvir o nome de Truda! Mudamos de: na fotografia de Truda que te ama (isso é histórico) para na filosofia de TODOS que te amam. Os versos: Boto de cor cinza claro/ Na baía de Everaldo/ baía de Todos os Santos/ sem as bombas no seu mar. Prefiro recuar e ficar calado. A mesma coisa aconteceu com a letra ILHA DE ITAPARICA, que fiz com Carlinhos. Tivemos que alterar os versos: Berço que “alumia” João Ubaldo Ribeiro, para o berço onde nasceu o Povo Brasileiro. Pode?
    É lógico que o texto é seu, ficam as contribuições, mas é preciso um dia discutir uma estratégia que a própria academia nunca entendeu, ou não quis entender, quando juntamos a turma do manguezal, dos recifes de coral para uma estratégia conjunta para conservação. Porém, aquela “minina” – vaidade, não permitiu. da mesma forma que a turma dos tubarões não interagiu com a turma dos mamíferos, em Ilhéus.
    Mas, estão aí as experiências e tenho mostrado Brasil costa inteira, essas histórias. Alguns entendem.
    O certo é que essa história, de minha parte, não terá fim. Só com o meu próprio fim. Estou trabalhando junto ao IPHAN a re-ratificação do Centro Histórico de Itaparica, criando o CENTRO HISTÓRICO DAS CAÇAS ÀS BALEIAS NO BRASIL. Se alguém quiser ajudar……
    Se lembrar de mais alguma coisa, te ajudarei. Considero você uma cara sério, comprometido, não é orgulhoso, trabalha pela vida e tem mostrado competência. Desde o primeiro dia que me comprometi em te dar ajuda, não me arrependi. Você foi só crescimento, contribuições, sinceridade e ética.
    Um grande abraço e continue nessa rota. Seu espaço nessa história está garantido.
    Prof. Everaldo Queiroz

  11. By Luiz Boaventura, 21 de outubro de 2013 @ 18:05

    Ea! Raiz! Fico feliz em ter feito parte e ainda fazer de toda essa retrospectiva que é de suma importância para nossa região, idealizadores, colaboradores e simpatizantes! Só tenho a agradecer por fazer parte de tudo isso! Grande abraço meu velho!

    • By Luciano Alardo, 24 de outubro de 2013 @ 15:38

      Fala meu broder, blz? Os bichos é que agradecem a participação de toda essa equipe da Bahia em prol da conservação dos mesmos.
      Abs, Luciano

  12. By Luana, 21 de maio de 2014 @ 12:25

    Raiz ! Que belo texto. Viajei … relembrando todas essas etapas. Grande beijo em todos.

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